Escreves:
www.google.com
Carregas Enter.
A página aparece.
Normalmente em menos de um segundo.
Nesse intervalo existe uma pequena conversa entre vários sistemas.
Primeiro é preciso descobrir onde está o site
Computadores comunicam através de endereços IP.
Mas ninguém quer decorar sequências de números para visitar um site.
Por isso usamos nomes.
google.com
wikipedia.org
letrasbinarias.pt
É aqui que entra o DNS.
DNS é parecido com uma lista telefónica
O browser pergunta, simplificando:
"Qual é o endereço correspondente a google.com?"
Um sistema DNS devolve a informação necessária para localizar o servidor.
Sem DNS, a Internet moderna seria muito menos prática.
Depois é criada a ligação
Já sabemos onde contactar.
O browser abre então uma ligação ao servidor.
Em sites modernos, quase sempre através de HTTPS.
O famoso cadeado do browser está relacionado com esta ligação protegida.
HTTPS não significa que o site é honesto
Isto merece uma nota.
O cadeado significa essencialmente que a comunicação entre ti e aquele domínio está cifrada adequadamente.
Não significa:
"Este negócio é legítimo."
Um site de phishing também pode ter HTTPS.
O cadeado protege a ligação.
Não certifica as intenções de quem criou a página.
O browser pede o conteúdo
Depois da ligação:
"Envia-me a página inicial."
O servidor responde.
Pode devolver HTML, que descreve a estrutura da página.
Esse HTML pode depois referenciar:
- CSS;
- JavaScript;
- imagens;
- fontes;
- vídeos;
- outros recursos.
O browser começa a pedir cada um.
E esses ficheiros podem vir de sítios diferentes
A fotografia pode vir de uma CDN.
A fonte pode vir de outro serviço.
Analytics de outro.
Um vídeo de outro.
Uma única página pode provocar dezenas ou centenas de pedidos.
O browser junta tudo e constrói aquilo que vês.
Porque alguns sites parecem carregar por partes?
Porque nem tudo chega simultaneamente.
O browser pode desenhar texto primeiro.
Depois imagens.
Depois executar JavaScript.
Depois uma aplicação pode pedir mais dados a uma API.
É por isso que às vezes aparece:
- cabeçalho;
- esqueleto da página;
- conteúdo;
- imagens.
Não é necessariamente erro.
É a página a ser montada.
E tudo isto demora milissegundos
É talvez a parte mais impressionante.
Para abrir uma página podem estar envolvidos:
- o teu dispositivo;
- router;
- operador;
- DNS;
- vários routers na Internet;
- CDN;
- servidor;
- bases de dados;
- APIs.
E normalmente esperamos que tudo aconteça praticamente instantaneamente.
Quando demora três segundos, já estamos irritados.
A Web parece simples porque os browsers escondem toda esta complexidade.
Escrevemos um nome.
Carregamos Enter.
E dezenas de sistemas coordenam-se para transformar esse gesto numa página.
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