Se alguma vez tentaste cancelar uma subscrição online e precisaste de 6 cliques, 2 pop-ups e uma pergunta do tipo "tens a certeza de que tens a certeza?", já foste vítima de dark patterns.
O que são dark patterns
São técnicas de design pensadas para manipular o utilizador — fazer com que clique onde não queria, aceite o que não leu, ou desista de fazer algo que tem todo o direito de fazer.
Os números
Em Setembro de 2025, a FTC (a entidade reguladora norte-americana) chegou a um acordo com a Amazon no valor de 2,5 mil milhões de dólares — a maior penalização de sempre em protecção do consumidor. A razão? O processo de cancelação do Amazon Prime era deliberadamente confuso e desenhado para desencorajar o utilizador.
Na Europa, a situação não é melhor. Segundo dados compilados por investigadores que analisaram mais de 35 mil sites europeus, 49% violam as regras de consentimento de cookies. Apenas 15% cumprem os requisitos mínimos.
A resposta europeia
A UE está a preparar o Digital Fairness Act, com proposta formal esperada em 2026, que proíbe explicitamente dark patterns. A ideia é simples: se o botão de "aceitar" é grande e verde, o botão de "rejeitar" tem de ter o mesmo destaque.
A Honda já enfrentou problemas legais nos EUA por dark patterns em fluxos de consentimento. E não será a última.
A minha opinião
Há uma diferença fundamental entre persuasão e manipulação. Persuasão é apresentar o valor do que ofereces. Manipulação é dificultar a saída. Se o teu modelo de negócio depende de o utilizador não conseguir cancelar, o problema não é UX — é o modelo.
Desenhar interfaces honestas não é só ético. É sustentável. Porque os utilizadores que ficam por escolha valem infinitamente mais do que os que ficam por confusão.
Fontes:
- FTC, Amazon Dark Patterns Settlement, Setembro 2025
- Ketch, Cookie Consent Analysis
- Arthur Cox, Digital Fairness Act Consultation, 2025
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