O telefone toca.
Do outro lado está a voz do teu filho.
Está aflito.
"Pai, tive um problema. Preciso que me mandes dinheiro agora."
Reconheces a voz.
O tom.
A maneira de falar.
Só há um problema.
Pode não ser ele.
A voz deixou de ser uma prova forte de identidade
Durante muito tempo havia uma regra informal:
Se ouvi a pessoa, então era a pessoa.
Inteligência artificial está a tornar essa regra perigosa.
Modelos modernos conseguem analisar uma amostra de voz e gerar novas frases que parecem ter sido ditas pela mesma pessoa.
Quanto melhor a amostra, melhor tende a ser o resultado.
E hoje não faltam amostras.
Vídeos no Instagram.
TikTok.
YouTube.
Stories.
Mensagens de voz.
O ataque funciona porque usa emoção
A tecnologia é apenas metade do esquema.
A outra metade é engenharia social.
O atacante quer impedir-te de pensar.
Por isso surgem elementos como:
- acidente;
- hospital;
- polícia;
- dívida urgente;
- telefone perdido;
- conta bloqueada;
- necessidade imediata de dinheiro.
A urgência é deliberada.
Quanto mais assustado estiveres, menor a probabilidade de verificares.
A defesa mais simples: desligar e ligar
Recebeste um telefonema estranho de alguém próximo?
Desliga.
Liga tu próprio para o número que tens guardado.
Não uses números fornecidos durante a chamada.
Não respondas apenas:
"És mesmo tu?"
Uma voz falsa pode obviamente responder que sim.
Criar uma palavra familiar pode ajudar
Para famílias, pode fazer sentido combinar previamente uma palavra ou pergunta que não esteja publicada online.
Especialmente para situações extraordinárias.
Não é necessário transformar a família numa agência secreta.
Basta algo que permita confirmar rapidamente:
"Qual é a nossa palavra?"
Atenção à informação que ofereces
Um erro clássico em fraudes telefónicas:
"Mãe?"
E a outra pessoa responde:
"Sim, sou eu."
Foste tu que deste a informação.
O mesmo acontece com nomes:
"João, és tu?"
Se o atacante não sabia quem devia imitar, agora sabe.
Transferências urgentes são o principal alerta
Se uma situação emocional termina com um pedido de:
- transferência;
- MB Way;
- código;
- cartão presente;
- criptomoeda;
pára imediatamente.
O objetivo de muitas fraudes é fazer-te agir antes de conseguires confirmar a história.
E vídeo?
O mesmo princípio está a chegar ao vídeo.
Uma chamada de vídeo já não deve ser considerada prova absoluta por si só quando estão em causa pedidos extraordinários.
Para decisões importantes, usa um segundo canal de confirmação.
Durante anos aprendemos:
"Não acredites em tudo o que lês na Internet."
Agora precisamos de acrescentar:
não acredites automaticamente em tudo o que ouves.
A tecnologia mudou.
Os nossos hábitos de verificação também têm de mudar.
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