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Email deliverability é uma factura mensal que ninguém te mostra

DKIM, SPF, DMARC, BIMI e as regras novas de Google e Yahoo desde 2024. Por que metade dos teus emails podem não estar a chegar.

June 17, 2026 By Jorge

Editorial

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Há uma factura mensal silenciosa que muitas empresas pagam sem saber. Não vem em euros. Vem em emails que nunca chegaram à caixa de entrada, em propostas perdidas, em respostas que nunca aconteceram porque a mensagem original caiu em spam.

Chama-se deliverability. E em 2026 ficou mais exigente.

O problema invisível

Quando envias um email, há quatro destinos possíveis para o destinatário:

Inbox: o email chega onde devia chegar.

Promotions/Updates (Gmail): chega ao Gmail mas vai parar a uma pasta secundária. Algumas pessoas leem, muitas não.

Spam: chega à pasta de spam. Quase ninguém olha.

Blocked: nem chega. O servidor recusou a entrega. O remetente nunca sabe, a menos que monitorize.

A percentagem real de emails que chegam à inbox principal varia muito por sector e por remetente. Estudos da Validity e da Litmus apontam médias entre 80% e 88% para emails legítimos bem configurados, e abaixo de 50% para remetentes mal configurados ou com reputação fraca.

Isto significa que, sem fazer nada de mal, 12% a 20% dos teus emails podem não estar a chegar.

As três autenticações

Desde Fevereiro de 2024, Google e Yahoo passaram a exigir autenticação de email para remetentes em massa. Para remetentes mais pequenos, é fortemente recomendado. Em 2026, é prática obrigatória se quiseres deliverability decente.

SPF (Sender Policy Framework). Define quais servidores estão autorizados a enviar email em nome do teu domínio. Configura-se com um registo TXT no DNS.

DKIM (DomainKeys Identified Mail). Adiciona assinatura criptográfica a cada email enviado. O destinatário pode verificar que o email não foi alterado e que veio mesmo do servidor que diz ter vindo.

DMARC (Domain-based Message Authentication, Reporting and Conformance). Define o que o destinatário deve fazer com emails que falham SPF ou DKIM (entregar, marcar como spam, rejeitar). Também permite receber relatórios de quem está a tentar usar o teu domínio.

Um domínio sem estas três autenticações é, em 2026, um remetente suspeito por defeito.

As regras novas de 2024

Google e Yahoo anunciaram em 2023 e aplicaram em Fevereiro de 2024 requisitos mais estritos para remetentes em massa (5 000+ emails por dia para utilizadores Gmail ou Yahoo).

Estas regras incluem: SPF e DKIM obrigatórios, DMARC com política definida, unsubscribe com um clique para emails de marketing, taxa de spam complaints abaixo de 0,3%.

Mesmo se não atinges os 5 000 emails por dia, vale a pena cumprir os mesmos requisitos. Os filtros aplicam-se a todos, com mais ou menos peso. Empresas que cumprem estes requisitos têm deliverability significativamente melhor.

BIMI: o último elo

BIMI (Brand Indicators for Message Identification) é um padrão mais recente que permite mostrar o teu logo na caixa de entrada do destinatário, ao lado do email.

Requer DMARC com política rigorosa e, na maioria dos casos, certificado VMC pago.

O benefício é duplo: visualmente diferencia os teus emails (impacto em open rate), e tecnicamente reforça que és quem dizes ser.

Não é prioridade absoluta para PMEs ainda, mas vale a pena conhecer.

Reputação

Reputação no contexto de email tem várias dimensões.

Reputação de IP: o IP do servidor que envia. Se é partilhado (caso típico com SendGrid, Mailgun, Postmark em planos baixos), a reputação inclui o comportamento de outros utilizadores. Se é dedicado, é só tua.

Reputação de domínio: a reputação do domínio que aparece em "From:". Cresce com tempo, com volume consistente, com engagement positivo, com baixas taxas de spam complaints.

Reputação subdomínio: muitas empresas usam subdomínios separados para tipos de email ([email protected], [email protected]). Permite que um problema num tipo não afecte os outros.

Reputação leva meses a construir. Cai em dias quando há problemas.

O que mata deliverability

Algumas práticas estão garantidas a destruir reputação:

Listas compradas. Não há como fazer isto funcionar. Mesmo emails legítimos em listas com endereços comprados acabam em spam.

Envios em massa sem opt-in explícito. RGPD requer-o e os filtros também.

Links suspeitos. URLs encurtados (bit.ly e similares) levantam suspeita. Links para domínios diferentes do remetente também.

Assuntos em maiúsculas, palavras vermelhas ("GRÁTIS!!", "ÚLTIMA CHANCE"), excesso de pontuação.

Imagens sem texto. Emails 100% imagem são tipicamente suspeitos.

Falhas em hard bounces não tratadas. Continuar a enviar para endereços que já rejeitaram é mau sinal.

Como diagnosticar

Ferramentas úteis para perceber o estado:

Google Postmaster Tools. Se envias para Gmail (e quem não envia), o Postmaster Tools mostra dados de reputação, autenticação, complaints. Grátis.

MXToolbox. Verifica DNS, SPF, DKIM, blacklists. Grátis para verificações pontuais.

Mail-tester.com. Envia um email para um endereço gerado por eles e recebes score (0 a 10) com diagnóstico. Útil para perceber problemas concretos.

Gmass Inbox Tester ou Postmark Inbox Tester. Testam onde o teu email cai em vários provedores.

Conclusão

Deliverability não é sexy. Ninguém vai a um congresso ouvir uma palestra sobre SPF.

Mas é uma das infraestruturas com maior impacto invisível em qualquer empresa que dependa de email para vender, suportar clientes ou comunicar internamente.

Uma tarde a configurar bem SPF, DKIM e DMARC pode aumentar a taxa de inbox em vários pontos percentuais. Cinco minutos a olhar para o Google Postmaster Tools, regularmente, evita surpresas.

E, sobretudo, evita aquela situação em que o cliente diz "não recebi o email" e tu juras que o enviaste. Provavelmente ambos têm razão.

Fontes verificadas

Fontes consultadas em 30 de maio de 2026:

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