Abres o Instagram.
Vês um vídeo de culinária.
Depois outro.
Depois uma receita.
Depois um restaurante.
Pouco tempo depois parece que o Instagram decidiu que a tua personalidade inteira é comida.
Chamamos normalmente a isto:
"O algoritmo."
Mas afinal, o que é um algoritmo?
Um algoritmo é apenas um conjunto de regras
Na definição mais simples possível, um algoritmo é uma série de passos usados para chegar a um resultado.
Uma receita é quase um algoritmo:
- partir dois ovos;
- juntar farinha;
- misturar;
- levar ao forno durante 30 minutos.
Um GPS também usa algoritmos para escolher um percurso.
Um banco usa algoritmos para detetar operações potencialmente fraudulentas.
E as redes sociais usam-nos para decidir aquilo que provavelmente queres ver a seguir.
O Instagram não precisa de saber quem tu és
Precisa sobretudo de observar aquilo que fazes.
Imagina dois vídeos.
No primeiro:
- passas imediatamente.
No segundo:
- paras;
- vês até ao fim;
- voltas atrás;
- abres os comentários;
- guardas o vídeo.
Qual dos dois parece interessar-te mais?
O segundo.
Não foi preciso preencher nenhum questionário.
O comportamento respondeu por ti.
Há centenas de pequenos sinais
As plataformas podem analisar sinais como:
- quanto tempo ficas num conteúdo;
- se fazes gosto;
- se comentas;
- se partilhas;
- se guardas;
- que contas segues;
- em que vídeos paras;
- o que pesquisas;
- que conteúdos ignoras.
Nem todos os sinais têm necessariamente o mesmo peso.
Ver um vídeo de três minutos até ao fim pode dizer muito mais sobre os teus interesses do que carregar acidentalmente num gosto.
Depois entra a previsão
O sistema tenta responder a uma pergunta:
"Qual é a probabilidade de esta pessoa gostar deste conteúdo?"
Se a probabilidade for elevada, o conteúdo sobe no ranking.
É por isso que duas pessoas podem abrir exatamente a mesma aplicação e encontrar feeds completamente diferentes.
Cada feed é uma previsão personalizada.
E aparece a famosa bolha
Há uma consequência interessante.
Quando demonstras interesse por determinado assunto, a plataforma mostra mais desse assunto.
Tu interages mais.
A plataforma mostra ainda mais.
Pouco a pouco, o mundo apresentado pelo feed pode parecer representar o mundo real.
Mas não representa.
Representa aquilo que o algoritmo acredita que prende a tua atenção.
É uma diferença importante.
Isto explica fenómenos estranhos
Viste um vídeo sobre uma doença e subitamente parece que toda a gente tem essa doença.
Vês três notícias sobre criminalidade e parece que o país inteiro está em caos.
Começas a ver vídeos sobre investimento e toda a gente parece estar a ficar milionária.
O feed não é uma amostra neutra da sociedade.
É uma máquina de seleção.
Consegues alterar o algoritmo?
Até certo ponto, sim.
A forma mais eficaz não é dizer ao Instagram aquilo de que gostas.
É mudar o teu comportamento.
Se não queres determinado tipo de conteúdo:
- não fiques a vê-lo por curiosidade;
- usa "Não tenho interesse";
- deixa de seguir contas que já não te interessam;
- procura deliberadamente assuntos diferentes.
Com tempo, as recomendações ajustam-se.
A próxima vez que alguém disser:
"O meu Instagram só me mostra isto."
há uma resposta relativamente simples.
O algoritmo não lê mentes.
Observa comportamentos.
E nós damos-lhe milhares de pistas por dia.
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