Quando usas uma funcionalidade de inteligência artificial no telemóvel, há duas possibilidades principais.
O trabalho pode acontecer:
no próprio telefone
ou
num servidor remoto.
A diferença é importante.
IA na cloud
É o modelo mais fácil de imaginar.
Fazes uma pergunta.
O telemóvel envia informação através da Internet.
Servidores bastante mais poderosos processam o pedido.
A resposta regressa.
É assim que muitas aplicações de IA funcionam.
A vantagem é óbvia: esses servidores podem ter capacidade computacional muito superior à de um telemóvel.
IA local
Mas os telemóveis atuais também possuem hardware especializado capaz de executar determinados modelos diretamente no dispositivo.
Nesse caso:
- forneces a informação;
- o próprio equipamento processa;
- o resultado aparece;
- os dados podem não precisar de sair do telefone.
É aquilo a que normalmente se chama on-device AI.
Porque interessa?
Privacidade
Se determinado processamento acontece localmente, pode haver menos necessidade de enviar dados pessoais para servidores externos.
Por exemplo, algumas operações sobre fotografias ou texto podem ser realizadas no próprio equipamento.
Velocidade
Não precisas de esperar pela viagem:
telefone → Internet → servidor → Internet → telefone.
Funcionamento offline
Algumas funcionalidades podem continuar disponíveis sem ligação.
Então porque não fazemos tudo localmente?
Porque há limites.
Um grande modelo precisa de:
- muita memória;
- processamento;
- energia;
- armazenamento.
Um centro de dados pode ter máquinas gigantescas desenhadas para isso.
Um smartphone precisa de caber no bolso e sobreviver o dia inteiro com uma bateria pequena.
É uma diferença considerável.
Surgem então sistemas híbridos
Uma tarefa simples pode ser feita localmente.
Uma tarefa mais pesada pode ser enviada para infraestrutura externa.
Idealmente, o sistema decide consoante:
- complexidade;
- privacidade;
- capacidade;
- necessidade de informação atualizada.
Este modelo híbrido provavelmente vai tornar-se cada vez mais comum.
Como sei para onde vão os meus dados?
Essa é a parte menos simples.
Depende da aplicação e da funcionalidade.
Se estás a trabalhar com informação sensível, não assumas que:
"Como estou no telemóvel, fica tudo no telemóvel."
Consulta as definições e políticas do serviço.
E presta atenção a expressões como:
- processamento no dispositivo;
- processamento local;
- cloud processing;
- envio para servidores;
- utilização dos dados para melhoria do serviço.
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma coisa que acontece "na Internet".
Está a aproximar-se cada vez mais do próprio dispositivo.
E saber onde acontece o processamento começa a ser tão importante como saber qual IA estamos a utilizar.
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