Há uma pequena guerra entre pessoas e dispositivos.
O telemóvel diz:
"Atualização disponível."
Nós respondemos:
"Mais tarde."
O computador pergunta novamente amanhã.
"Mais tarde."
Uma semana depois:
"Lembrar-me depois."
Se tudo funciona, porque mexer?
Atualizações não servem apenas para acrescentar funcionalidades
Uma atualização pode incluir:
- correções de bugs;
- melhorias de desempenho;
- compatibilidade;
- alterações visuais;
- novas funcionalidades;
- correções de segurança.
Esta última é a mais importante.
Software tem falhas
Windows tem falhas.
macOS tem falhas.
Android.
iOS.
Chrome.
WordPress.
Routers.
Televisões inteligentes.
Tudo o que contém software pode conter vulnerabilidades.
Investigadores, fabricantes e também criminosos estão constantemente a encontrá-las.
Quando uma falha é corrigida acontece algo curioso
O fabricante publica uma atualização.
Isso protege quem a instala.
Mas a própria existência da correção pode ajudar atacantes a perceber aquilo que estava errado.
Começa então uma corrida.
De um lado:
utilizadores a atualizar.
Do outro:
atacantes a tentar explorar equipamentos que continuam vulneráveis.
É por isso que atualizações de segurança importantes não devem ficar meses em espera.
"Mas uma atualização pode partir alguma coisa"
Pode.
Especialmente em ambientes empresariais complexos.
É por isso que organizações grandes testam atualizações antes de distribuí-las por milhares de máquinas.
Para um utilizador comum, porém, ficar permanentemente várias versões atrás também tem riscos.
Uma estratégia equilibrada funciona melhor.
O que faria num dispositivo pessoal
Para atualizações normais:
- backup ativo;
- atualizações automáticas ligadas;
- instalar dentro de um período razoável.
Para uma atualização gigantesca de sistema lançada naquele minuto:
se o dispositivo é crítico para o teu trabalho, pode fazer sentido não ser a primeira pessoa do planeta a carregar no botão.
Mas isso é diferente de ignorar atualizações durante seis meses.
Browsers são especialmente importantes
Passamos enorme parte da vida digital no browser.
Emails.
Bancos.
Compras.
Ferramentas de trabalho.
Por isso Chrome, Edge, Firefox e Safari devem estar atualizados.
Felizmente, fazem grande parte deste processo automaticamente.
Não te esqueças do router
É provavelmente um dos dispositivos mais esquecidos de casa.
Fica ligado 24 horas por dia durante anos.
E comunica diretamente com a Internet.
Vale a pena verificar ocasionalmente se recebe atualizações de firmware — especialmente se for equipamento próprio e antigo.
E aplicações que já não recebem updates?
Aí existe outro problema.
Software abandonado pode continuar a funcionar durante anos.
Mas se surgir uma vulnerabilidade, talvez nunca seja corrigida.
"Funciona" e "continua seguro" não são a mesma coisa.
Atualizar é aborrecido porque o benefício é invisível.
Quando tudo corre bem, nada acontece.
E é precisamente esse o objetivo.
Muitas das melhores tarefas de segurança digital são aquelas cujo resultado é um problema que nunca chegou a acontecer.
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